A escola e a comunicação



A escola e os meios de comunicação


A História da Educação Brasileira não é uma História difícil de ser estudada e compreendida. A primeira grande ruptura travou-se com a chegada mesmo dos portugueses ao território do Novo Mundo. A educação, no entanto, continuou a ter uma importância secundária. A educação brasileira evolui em saltos desordenados, em diversas direções.

Num programa de entrevista na televisão o indigenista Orlando Villas Boas contou um fato observado por ele numa aldeia Xavante que retrata bem a característica educacional entre os índios: Orlando observava uma mulher que fazia alguns potes de barro. Assim que a mulher terminava um pote seu filho, que estava ao lado dela, pegava o pote pronto e o jogava ao chão quebrando. Imediatamente ela iniciava outro e, novamente, assim que estava pronto, seu filho repetia o mesmo ato e o jogava no chão. Esta cena se repetiu por sete potes até que Orlando não se conteve e se aproximou da mulher Xavante e perguntou por que ela deixava o menino quebrar o trabalho que ela havia acabado de terminar. No que a mulher índia respondeu: "- Porque ele quer."


O PAPEL EDUCATIVO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E A EAD
Os sumérios foram os responsáveis pelo início de uma escrita mais estilizada. Descobriram, com isso, que não eram necessários desenhos para produzir imagens e sim caracteres distinguíveis, com significados determinados. Depois de tudo isso, a escrita fonética foi se desenvolvendo muito rapidamente. Disseminando-se em toda a Grécia. A partir daí houve uma grande necessidade de facilitar a comunicação, dando nomes às letras, como as consoantes e vogais.

A escrita foi, sem dúvida, uma das tecnologias de comunicação mais importantes para o progresso da humanidade e para o desenvolvimento do conceito de comunicação de massa. Sem ela, provavelmente, a história das grandes civilizações do mundo estaria perdida. Gutemberg proporcionou as condições técnicas para que o jornal se transformasse no primeiro veículo de comunicação de massa. Por isso, a análise do papel educativo dos meios de comunicação será iniciada pelo jornal, ou seja, a forma de comunicação de massa escrita, a mais tradicional e mais importante tecnologia de comunicação descoberta pelo homem.


No Brasil, o desenvolvimento da EAD tem seu início no século XX, em decorrência do iminente processo de industrialização cuja trajetória gerou uma demanda por políticas educacionais que formassem o trabalhador para a ocupação industrial. Dentro desse contexto, a Educação a Distância surge como uma alternativa para atender à demanda, principalmente através de meios radiofônicos, o que permitiria a formação dos trabalhadores do meio rural sem a necessidade de deslocamento para os centros urbanos. 

A história da educação a distância no Brasil esteve sempre ligada à formação profissional, capacitando pessoas ao exercício de certas atividades ou ao domínio de determinadas habilidades, sempre motivadas por questões de mercado. 

A partir dos anos 30, as políticas públicas viram na Educação a Distância uma forma de atingir uma grande massa de analfabetos sem permitir que houvesse grandes reflexões sobre questões sociais. 

Com o estabelecimento do Estado Novo, em 1937, a educação passou a ter o papel de “adestrar” o profissional para o exercício de trabalhos essenciais à modernização administrativa. Dentro deste contexto de formação profissional, surgem o Instituto Rádio-Técnico Monitor em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro, em 1941, como aponta Nunes (1992). 

Foram várias experiências radiofônicas até a implantação da televisão no Brasil, nos anos 50, que possibilitou o desenvolvimento de idéias relacionadas ao uso deste novo meio de comunicação na educação. Dessa maneira, nos anos 60, surgem as televisões educativas. Já na década de 70, a Educação a Distância começa a ser usada na capacitação de professores através da Associação Brasileira de Teleducação (ABT) e o MEC, através dos Seminários Brasileiros de Tecnologia Educacional. 

Ainda no contexto do rádio, é criado em 1973 o Projeto Minerva, que disponibilizou cursos para pessoas com baixo poder aquisitivo. Na mesma época surge o Projeto Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares (SACI) que, dentro de uma perspectiva de uso de satélites, chegou a atender 16.000 alunos entre os anos de 1973 e 1974. 

Em 1978 é criado o Telecurso 2º grau, através de uma parceria da Fundação Padre Anchieta e Fundação Roberto Marinho. Seu foco era a preparação de alunos para exames supletivos de 2º grau. 

Já em 1979 temos a criação da Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa (FCTVE), utilizando programas de televisão no projeto Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Neste mesmo ano, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (CAPES) faz experimentos de formação de professores do interior do país através da implementação da Pós- Graduação Experimental a Distância. 

Já em 1984, em São Paulo, é criado o Projeto Ipê, com o objetivo de aperfeiçoar professores para o Magistério de 1º e 2º graus. Na década de 90 temos, em 1995, a reformulação do Telecurso 2º Grau, que passa a se chamar Telecurso 2000, incluindo nesse o curso técnico de mecânica. 

Nessa mesma década, surge o projeto “Um Salto para o Futuro” que objetivava o aperfeiçoamento de professores das séries iniciais. Em 1995, também é criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC) que desenvolveu e implantou, em 2000, um curso a distância vinculado ao Projeto TV Escola, também objetivando a formação de professores. 

Ainda nos anos 90, podemos citar a criação do Canal Futura, uma iniciativa de empresas privadas para a criação de um canal com programas exclusivamente educativos. 

Para Barros (2003), assim como as exigências educacionais sofreram grandes alterações advindas das mudanças nas relações de trabalho com a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, hoje vivenciamos a revolução das tecnologias, mais especificamente das tecnologias da informação, que mais uma vez afeta as relações de trabalho, e isso certamente se reflete na educação. 

Duas tendências educacionais se firmaram no Brasil, no contexto da Educação a Distância, segundo Barros (2003, p. 52): “[...] a universalização das oportunidades e a preparação para o universo do trabalho”.

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Ainda abrangendo a temática educação e os meios de comunicação vejamos algumas entrevistas históricas dos educadores Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire: figuras que contribuíram muito para a evolução do sistema educacional brasileiro.


Anísio Teixeira,




 Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. Como teórico da educação, Anísio não se preocupava em defender apenas suas idéias. Muitas delas eram inspiradas na filosofia de John Dewey (1852-1952), de quem foi aluno ao fazer um curso de pós-graduação nos Estados Unidos.






Entrevista. Diário Carioca. Rio de Janeiro, 13 jul. 1958. Urgente uma reconstrução educacional.


Anísio Teixeira denuncia arcaísmo

Em nenhum outro aspecto da vida nacional se revela tão fortemente quanto na escola a cristalização de certo arcaísmo congênito de nossas instituições, devendo o próprio sentido da renovação nacional marcar a nossa reconstrução educacional - declarou, ontem, ao DC, em entrevista exclusiva, o educador Anísio Teixeira.
Após afirmar que "parece haver chegado, para o Brasil, momento semelhante ao da Alemanha de Fichte, em que devemos também escrever nossa carta à Nação brasileira", o professor Anísio Teixeira declarou: - "Há que virar pelo avesso a nossa filosofia de educação: a escola primária tem de ser à mais importante escola do Brasil, depois, a escola média, e depois, a escola ".

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“A antropologia brasileira é vadia” 

Darcy Ribeiro


Senador eleito pelo PDT, ex-vice-governador do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro foi chefe da Casa Civil e ministro da Educação do governo de João Goulart e exilado político durante a ditadura militar implantada em 1964. Um dos poucos antropólogos brasileiros de renome internacional, nasceu em Minas Gerais, em 1922, aprofundou-se nos estudos de sociologia, ciência política e história. Pesquisou tribos da Amazônia e do Brasil Central. Em 1956, tornou-se professor de Etnologia na Universidade do Brasil. Ribeiro escreveu o Processo Civilizatório, As Américas e a Civilização, O Dilema da América Latina, Os Brasileiros, Os Índios e a Civilização. Como ficcionista, publicou Mayra e O Mula. Em duas visitas a Porto Alegre – junho de 1989 e janeiro de 1991 – concedeu longas entrevistas ao jornalista Juremir Machado. Nada escapou de sua crítica arrasadora.


Entrevista marcante: Darcy Ribeiro, o visionário: Agosto de 1989/Janeiro 1991 (O pensamento do fim do século, L&PM)

A construção da identidade cultural é uma questão fundamental. Opõem-se duas vertentes. A primeira preconiza a internacionalização da cultura e vê a identidade como processo. A outra fala em ethos e valoriza as tradições. Qual a relação entre identidade e tradição?

Darcy Ribeiro -Os antropólogos discutem muito a questão da identidade cultural. É a moda. Usa-se identidade cultural no sentido de identidade étnica. Até que ponto o gaúcho é brasileiro e não é argentino? Na realidade, estou muito preocupado com isso e venho trabalhando a tentativa de definir em que momento surge um ser que não é índio, não é negro, não é português e que é brasileiro.

Ainda faz sentido falar em categorias como alienação, cultura legítima versus cultura espúria, genuíno e inautêntico? Não são conceitos ultrapassados, pertencentes ao imaginário da década de sessenta?

D. R. Nunca foram tão importantes como são agora. A alienação é a negação do próprio ser. É a consciência não correspondente à realidade. Ou é a alteração da realidade do espírito da realidade do ser. A primeira alienação sofrida há alguns bilhões de anos deu-se quando o homem deixou





Vítima de câncer, Darcy Ribeiro morreu aos 74 anos.




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Paulo Freire,


O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo







Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.













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